Primeiro Corpo ~ A Árvore

Quando abraçares a árvore verás:
o amor, a tua vida entrando,
tocando o peito, o umbigo,
enquanto morres por dentro dos olhos;
sem dizeres, sem saberes dizer tudo
o que te liga à árvore, mas verás
nas mãos: o cerco, a cilada, a água,
procurando o veio mais fácil, o mais ágil
perdendo-se, absorvendo e absorvendo-te
árvore; esse corpo de fuga crescendo,
procurando a luz; enquanto morres possível
ou instrumento engavetado ou dentro
de um fato que remendas sem folhas
de alma, só sombras de sal no teu peito,
fugindo pelo vento fora, para dentro só
o restolhar do espanto, rindo, rindo
do teu último dente.
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Primeiro Corpo ~ Veios

28.


A luz do farol não pousa leve na mão do faroleiro,
arrasta-o intensa e sagazmente para longe no horizonte,
escreve-lhe nos olhos a trajectória de um naufrágio.


E na mão não cessa a demência,
que instiga indelevelmente à presença
do raio luminoso que orienta no obscuro nevoeiro


a vontade do solitário faroleiro.
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Primeiro Corpo ~ Veios

27.


Entre a flecha e o alvo habitam os corvos,
as mão que tecem teias, as vozes
desnorteadas dos afogados.


Por isso, a flecha perscruta no alvo
a segura estadia de iluminados olhos.
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Primeiro Corpo ~ Veios

26.


O amor desdobra-se no desejo,
e no desejo está o mundo
em busca da fuga redentora
ou do embate trágico, renovando
a ânsia do possível.
E no interior implodem
todas as noites indistintas
– redescobertas – palpitando
ou eclodindo sem a necessária
alusão à solitária e sábia
companhia das coisas.
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Primeiro Corpo ~ Veios

25.


Há uma noite contorcida
nas mãos dos homens
que parecem mortos;
e sustem um som estranho
a fatalidade:
o silêncio das mesas
detonando: o último
o imoral o corpo,
aquele que fica debruçado
na radioscopia do medo.
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Primeiro Corpo ~ Veios

24.


Há um desvio na margem
sem privilégio rindo:
Ampelo prosternado
nos olhos doentes de Dionísio.
Visível, audaz desmembro
sageza de borco à beira
do real iluminado:
passageira ilha, no rosto
que cai
máscara fechada.
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Primeiro Corpo ~ Veios

23.

Há um mundo de alva solidão
rodopiando em torno,
combatendo amortecendo
possibilidade. Revendo
em cada fragmento a sua
escuridão extenuando
o dilema desta terra,
de milagre adiado
ininteligível.
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