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Primeiro Corpo ~ Veios
28.
A luz do farol não pousa leve na mão do faroleiro,
arrasta-o intensa e sagazmente para longe no horizonte,
escreve-lhe nos olhos a trajectória de um naufrágio.
E na mão não cessa a demência,
que instiga indelevelmente à presença
do raio luminoso que orienta no obscuro nevoeiro
a vontade do solitário faroleiro.
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Tags Farol, Homem, Poema, Poesia Clandestina, Poeta, Solidão, Versos
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Primeiro Corpo ~ Veios
27.
Entre a flecha e o alvo habitam os corvos,
as mão que tecem teias, as vozes
desnorteadas dos afogados.
Por isso, a flecha perscruta no alvo
a segura estadia de iluminados olhos.
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Tags Amor, Literatura, Poema, Poesia Clandestina, Poeta, Solidão, Versos
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Primeiro Corpo ~ Veios
26.
O amor desdobra-se no desejo,
e no desejo está o mundo
em busca da fuga redentora
ou do embate trágico, renovando
a ânsia do possível.
E no interior implodem
todas as noites indistintas
– redescobertas – palpitando
ou eclodindo sem a necessária
alusão à solitária e sábia
companhia das coisas.
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Tags Amor, Literatura, Poema, Poesia, Poesia Clandestina, Poeta, Solidão, Versos
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Primeiro Corpo ~ Veios
25.
Há uma noite contorcida
nas mãos dos homens
que parecem mortos;
e sustem um som estranho
a fatalidade:
o silêncio das mesas
detonando: o último
o imoral o corpo,
aquele que fica debruçado
na radioscopia do medo.
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Tags Homem, Medo, Poema, Poesia, Poesia Clandestina, Poeta, Solidão, Versos
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Primeiro Corpo ~ Veios
24.
Há um desvio na margem
sem privilégio rindo:
Ampelo prosternado
nos olhos doentes de Dionísio.
Visível, audaz desmembro
sageza de borco à beira
do real iluminado:
passageira ilha, no rosto
que cai
máscara fechada.
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Tags Dionísio, Literatura, Poema, Poesia, Poesia Clandestina, Poeta, Versos
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Primeiro Corpo ~ Veios
23.
Há um mundo de alva solidão
rodopiando em torno,
combatendo amortecendo
possibilidade. Revendo
em cada fragmento a sua
escuridão extenuando
o dilema desta terra,
de milagre adiado
ininteligível.
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Tags Literatura, Poema, Poesia, Poesia Clandestina, Poeta, Solidão, Versos
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